A história da cidade de Três Pontas

                    A partir da metade do século XVIII, iniciou-se a decadência da mineração de ouro, na Capitania de Minas Gerais. Moradores das regiões auríferas, em decorrência das dificuldades financeiras por que passavam, embrenharam-se pelo sertão do Rio Grande à procura do precioso metal. Muitos deles optaram pela sua margem esquerda, chegando aos vales dos Rios Verdes e Sapucaí, onde hoje está a represa de Furnas, no Sul de Minas. Buscavam terras minerais, onde pudessem se dedicar a estas atividades. Todavia, as catas auríferas eram pouco produtivas e os possuidores de terras deveriam ter muitos escravos. Esses destemidos desbravadores, que aportaram à margem esquerda do Rio Grande, perceberam que as terras eram férteis e apropriadas para a exploração agropastoril. Povoadores, que aqui chegaram, não vacilaram em dedicar-se a estas atividades. Foram aqui criando raízes e principiaram a requerer terras, a título de sesmarias, que eram concedidas "por mercê de sua Majestade, o Rei de Portugal", através do Governador da Província. Ao longo de veredas inóspitas, cheias de perigos, doenças tropicais e feras bravias, ou ainda seguindo picadas nas matas, abertas pelos negros quilombolas, muitos desbravadores ou aventureiros, desejosos de fazerem fortuna, construíram ranchos de madeira, com cobertura de capim. Eram verdadeiros entrepostos, onde se vendiam mantimentos, armas, pólvora, facões e machados, tecidos de algodão, enfim, procuravam atender não só aos viajantes, mas também aos habitantes recém chegados.

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