A história da cidade de Três Pontas

      Alguns historiadores afirmam que até os quilombolas utilizavam os serviços desses verdadeiros comerciantes. Esses locais eram utilizados também por tropeiros e outros transeuntes como hospedaria e para um repouso reparador, a fim de que pudessem prosseguir viagem. Ao redor desses verdadeiros armazéns, algumas pessoas construíram suas cafuas e, a partir daí, pequenos arraiais começavam a se formar. Três Pontas não poderia ser diferente. Não tendo grandes catas auríferas, só assim pode ser povoada, no meu entendimento e como os fatos históricos parecem indicar. No final do século XVIII, um dos caminhos para Jacuí e outras povoações à esquerda do Rio Sapucaí, de quem vinha das bandas de S. João Del Rei, Pitanguí Carrancas e Santana das Lavras do Funil, era pela região da Serra de Três Pontas, que era um marco natural para os viajantes e pessoas que desejam estabelecer suas residências e até mesmo interessados em requerer sesmarias, mas que nunca estiveram na região. Um fato ocorrido nos sertões do Campo Grande, entre os anos de 1740 e 1746, deve ter possibilitado o aparecimento de quilombos nestas paragens. Refiro-me à destruição do chamado "Quilombo Grande ou Quilombo do Ambrósio", situado provavelmente em Cristais ou Ibiá. Houve uma verdadeira guerra entre brancos e negros quilombolas, estes foram trucidados, em sua maioria, outros foram presos e marcados a ferro, mas muitos fugiram sertão adentro e, talvez tendo conhecimento da existência de algum aldeamento de negros, vieram para este sertão da Serra de Três Pontas e adiante, a margem esquerda do Rio Sapucaí, formando pequenos quilombos. Considerem esta expressão "pequenos", tomando por parâmetro o Ambrósio. Os habitantes brancos se sentiram ameaçados pelos povoados dos quilombolas e solicitaram da Câmara de S. João Del Rei providências, para que fossem destruídos. Nas paragens de Três Pontas existiam pelo menos dois quilombos.Nas vertentes da Serra de Três Pontas, era o quilombo do "Cascalho". À margem esquerda do Ribeirão das Araras, nas imediações do povoado de Martinho Campos, existia outro. Ainda hoje, a quase totalidade dos habitantes de Três Pontas, Martinho Campos e Pontalete ao se referirem ao povoado de Martinho Campos, diz: "Vou ao Quilombo. Hoje haverá festa no Quilombo". A denominação "Martinho Campos", fica apenas para os atos oficiais. Destruídos os quilombos, pelos Capitães Bartolomeu Bueno do Prado, Diogo Bueno da Fonseca, Antônio Francisco França, mais povoadores foram chegando à região, adquirindo terras por cartas de sesmarias ou por compra, para posterior regularização, com a concessão de carta sesmaria por parte do Rei de Portugal, porém por decisão do Governador da Província, como já disse linhas atrás.

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