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história da cidade de Três Pontas |
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A partir destes fatos, e pouco a pouco, nas paragens da Serra da Esperança (Boa Esperança), ao longo do Ribeirão das Três Pontas, caudatário do Rio Grande, com nascentes na Serra de Três Pontas, bem como na direção dos Rios Verde e Sapucaí, cartas de sesmarias foram concedidas. A mais antiga que consegui documentação foi a de Domingos Leytão Coelho, no Rio do Cervo e Rio do Couro do Cervo "indo para a Serra de Três Pontas", requerida em 17 de abril de 1750, o que prova que esta região era já conhecida, servindo de referência até pelos poderes governamentais. Tenho em meu arquivo cerca de 80 documentos, relativos as sesmarias, obtidos através do Arquivo Público Mineiro, bem como do Catálogo de Sesmaria, editado pelo Governo do Estado de Minas Gerais. O sesmeiro BENTO FERREIRA DE BRITO, que muitos apontam como fundador ou doador do patrimônio para Capela de N. S. d’Ajuda verificamos que foi dos últimos a requerer carta de sesmaria, precisamente em 24 de setembro de 1793. Antes dele, em conjunto, requereram uma sesmaria os seguintes moradores - Leonardo Correia Lourenço, Luiz Lourenço Mariz, José Joaquim dos Santos, Manoel de Siqueira, João de Siqueira, João de Faria Neves e outros moradores da Aplicação da Capela de N. S. da Ajuda. Dita carta de sesmaria é de 22 de junho de 1793 e diz: "confrontando com o Córrego das Urtigas, com terras de Bento Ferreira de Brito e, pelo Córrego do Carvalho, com terras do falecido Bento de FARIA NEVES, principalmente nas cabeceiras dos ditos córregos e nas barras com que deva e haja de partir...." (Códice SC. 256, pag.184 v e 185, Arquivo Público Mineiro). Ao passo que a de Bento Ferreira de Brito diz: "na paragem chamada as Três Pontas da freguesia das Lavras, Termo da Villa de São João D'EL Rei, especialmente no Córrego da Ortiga ou seus Lados, se acham terras devolutas e que confrontam com Manoel de Souza Diniz, José Ferreira de Brito e com quem mais deva e haja de Confrontar...." (Códice SC.256, pag.202v. e seguintes, Arquivo Público Mineiro). Por aí se vê que a sesmaria de Leonardo Correia Lourenço e outros moradores da Aplicação da Capela de Nossa Senhora d’Ajuda caracteriza insofismavelmente a cidade de Três Pontas. O Córrego do Carvalho todos conhecem, fica do lado direito da Rodovia que liga Três Pontas a Santana da Vargem. O Córrego de N. Senhora d’Ajuda, não consegui localizar. Acredito que seja o agora denominado "Custodinho", também do lado direito da Rodovia Três Pontas a Santana da Vargem. Na confluência destes dois córregos, a partir do Bairro Peret, passa a se chamar Ribeirão das Araras. Ao que parece, por ocasião da demarcação da sesmaria dos moradores da Capela houve desentendimento entre as partes e ninguém quis ou pode assumir a responsabilidade de fazer a medição e demarcação, que era dispendiosa. Isto dito, verificamos o caso, no mínimo curioso: O Juiz das Sesmarias deu um prazo de 24 horas para que se fizesse essa burocracia, ao meu ver, prepotente. Como os sesmeiros não se apresentaram, foi nomeado "consignário" o Sr. José Ferreira de Brito. As autoridades, sem mais delongas declararam EXTINTA a Fazenda da "Fachinas". Demarcaram um quarto de légua para logradouro do Arraial, "reservando um quarto para o Capitão Bento Ferreira de Brito". Este episódio deverá ser pesquisado com mais cuidado. As decisões e intimações, ao que parecem, foram realizadas na fazenda "Bandeirinhas", situada às margens do Ribeirão das Candongas, logo adiante do Córrego da Urtiga, na estrada que liga Três Pontas a Campos Gerais, nas proximidades do Distrito Industrial. A fazenda das "Bandeirinhas" não conservou o nome. Sempre foi denominada pela população de Três Pontas como Fazenda das "Candongas". Não consegui descobrir a razão de tão negativo nome. Ainda hoje existe a dita Fazenda e com a denominação de "Candongas". Por extensão, deu-se o nome de Rua das Candongas uma das ruas de nossa cidade, no Bairro Catumbi, próxima a dita fazenda. Felizmente hoje a rua mudou de denominação e chama-se rua "Dr. Frederico Meinberg", grande médico alemão, que era radicado em Três Pontas, no Século passado. |